Finalmente, depois de 3 dias de preguiça gelada em Ushuaia, ligamos de novo o motor do carro.
Cruzamos no sentido contrário todos os lagos azuis cristalinos das florestas vizinhas da cidade mais austral do mundo e chegamos no deserto árido do norte da ilha, para passar mais uma vez a fronteira do Chile (já passamos 4 vezes essa fronteira em menos de uma semana, nossos passaportes começam a paracer os de fugitivos indecisos). Dessa vez queriamos travessar o Estreto de Magalhaes - aquele que nos emocionou tanto - num lugar mais largo em direçao de Punta Arenas no continente.
Depois de 5 horas de carro e algumas em fila nas alfandegas, chegamos correndo para pegar o único ferry do dia, no pequeno vilarejo de Porvenir. É là que nossa hitoria do dia começa:
Percebemos (grandes cabeças de ventos que somos) que nao tinhamos dinheiro chileno conosco, e até dinheiro argentino tinhamos pouco... Ai, a pressao subiu. Faltava 25 minutos para o ferry sair - repito o único do dia no meio do nada - Entramos ansiosos na fila da caixa para tentar "negociar" (ou "dar um jeito" como descreve o How to be carioca). A senhora respeitavelmente burocratica aceitou, Ô sorte, de receber nosso dinheiro argentino....mas faltava o equivalente de 30 Réais, Ô azar.
Corrimos até o único banco da plaça da aldeia para tentar sacar - menos 20 minutos - chegamos no banco, entramos, tentamos... fracassamos! Nosso cartao visa nao era aceitado ali, mastercard domina o fim do mundo. 15 minutos. Pulamos no carro e voltamos até o pier do ferry. Corremos até a caixa para tentar "negociar" de novo com a senhora respeitavelmente burocratica. Menos 10 minutos. O quanto estava me aproximando da caixa, o Chico tinha a missao de achar alguem a bordo dispoto a trocar nossas poucas notas de reais sobrando no fundo da mochila para conseguir fechar a conta.
Nesse momento nosso salvador apareceu: O Capitao do navio. Menos 5 minutos.
Ele chegou frente ao Chico, tentando se explicar no seu melhor espanhol (o que dava um pose de falcatrua imperdivel) . Os dois me encontraram na caixa, e o capitao nos fez embarcar com a promessa de pagar chegando là em Punta Arenas. Era a palavra dele. Ô Captain, my captain!
Sorrindentes e felizes de nao ter que passar uma noite no carro, nos preparamos para embarcar. Foi quando percebemos que no meio da agitaçao o Chico tinha perdido a carteira dele. Menos 3 minutos. Correu até a caixa, e eu revirava o carro inteiro. Mas no último minuto, voltou rindo ao lado do Capitao, tinha esquecido a carteira na caixa, estava na maleta da senhora. Pudemos embarcar, ela devolverá depois. O ferry zarpou.
Duas horas e meia de travessa no pôr do sol e num vento agudo. Ondas batendo as bochechas do navio e jogando aguas até os carros apertados no fundos. Mas estavamos serenos e tranquiles : "que historia foi essa travessa, que bom que tudo deu certo". Celebramos no meio do corredor transoceânico nossa modesta epopéa do dia. Foi sem contar com a chegada.
Na hora de subir no carro para desembarcar, estavamos conversando com o capitao - já amigo do Chico com quem trocava cartao e promessa de visita no Rio* - quando ligamos o motor para corrir até um banco e sacar o dinheiro, pedimos ao capitao a carteira que tinha ficado com ele e a senhora. Olhar dubitativo do marinheiro: "Que carteira ?"
A senhora - aquela da caixa, respeitavelmente burocratica - nao tinha entendido o Chico, e tinha visto carteira nenhuma. Ou seja. A carteira estava perdida e estavamos sem dinheiro (nem argentino, nem chileno, nem reais, nem nada!) e sem cartao de creditos. Os sorrisos do "momento troca de endereço" com o capitao se transformaram em um minuto em bocas abertas de susto e desespero...
Virei o carro inteiro para verificar se a carteira nao tinha caido, o Chico pulou do carro e tentou se explicar e entender o que aconteceu (colocando em dúvida a palavra da mulher), o tom começava a subir, o espanhol se embolava todo, e eu no meio da bagunça do carro tentava imaginar como maximisar o nossos 100 reais aproximativos para sobreviver ainda 15 dias! O suplicio durou 10 minutos, o tempo do Chico passar a cabeça dentro do carro e achar a carteira dele num canto escondido. Respiro. Os sorriros voltaram, e deixamos de passar por pilantraos (mas malucos continuamos parecer com certeza). Corrimos até a cidade para poder tirar o dinheiro e voltamos para o porto onde o barco vazio e sozinho no pier, nos esperava, capitao aos comandos. Ele desci, foi pago, prometeu ao Chico visitar o Rio.
Nos despedimos dele, da tripulaçao - ja eramos famosos - e saimos do porto com a saudaçao da buzina do ferryboat do Estreto de Magalhaes.
Assim passamos de volta ao continente.
* Nota de viagem: Ser brasileiro é o melhor passaporte do mundo!
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Finalement, après 3 jours de farniente gelée à Ushuaia, nous avons redémarré le moteur.
Nous avons croisé dans le sens inverse tous les lacs bleus cristalins des forêts voisines de la ville la plus australe au monde pour atteindre le désert aride du nord de l´ile et passer une fois de plus la frontière du Chili (nous avons déjà passé cette frontière 4 fois en moins d´une semaine, nos passeports paraissent ceux de fugitifs indécis). Cette fois, nous souhaitions traverser le Détroit de Magellan - celui qui nous avait tant ému - à un endroit plus large en direction de Punta Arenas sur le continent.
2 comentários:
Francisco, uma história dessa só podia ser mesmo com você!!!tcs,tcs,tcs,tcs!!! (no ritmo cabofriense),
Abraço forte pra vcs dois.
e olha que nem chave tinha no meio dessa estória...
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