Acordamos na madrugada do dia de Natal, num maravilhoso nascer de sol acima dos chalés alemaes de Joinville...prontos a seguir pela frente! Floresta de piños, morros a beira mar, Florianopolis là do outro lado da ponte..tudo lindo, e o nosso dia parecia se encaminhar na maior paz rodoviaria possivél, até uma idea genial do Chico, olhando a mapa num posto de gasolina.
Se aproximando da pequena cidade de Osório, encontraremos duas opçoes: A primeira, seguir pela estrada de asfalto cintilante até Porto Alegre e Pelotas pela frente. Reta tranquila. A segunda opçao, nao desgrudar do litoral, e descer a barra de terra entre a Lagoa dos Patos e as praias, pela "Estrada do Inferno" (referência Guia 4 Rodas) até pegar uma balsa para chegar a Rio Grande. A segunda opcao, seguindo todos os funcionários de postos de gasolina* que consultamos até tomar nossa decisao final, era o caos, sem dúvida. Portanto, em seres sabios e racionais foi essa Estrada do Inferno que seguimos no meio da tarde do dia de Natal...
100 kms rumo ao sul. No inicio a estrada era de asfalte bombardeado por meteorites, alguns dos burracos do chau eram maiores do que eu. Sabiamos que desses 100 kms, só uns 45 eram braves mesmo. Como nao dava para pegar esse trecho de noite, e que o dia já estava se terminando, decidimos esperar o dia seguinte para passar, praticamos o rally fazendo a volta de um lago, eu dirigindo na lama e o Chico atras, de pé na carosseria, com a camera. O lugar é uma reserva de pássaros migratórios: Flamingos, falcoes, e outros voadores faziam a alegria do fótografo que se descobriu uma paixao pela ornitolongia! Nós perdimos no meio desse pantanal, encontramos um velhino simpático de fusca: "No cruzamento que tem pela frente, pega a esquerda, mas fica tranquile, que se pega a direita chega também." "Obrigada!" 
Depois de uma boa noite na única pousada de Tavares, là estavamos on the road again! Pronto a afrontar o trecho terrivel da Estrada do Inferno! A lama começou e o Chico colocou as traçoes do carro. Depois do primeiro kilometro, topamos com um ônibus quebrado, o motorista correu atrás do nosso carro para pedir carona até um posto de socorro. Primeira carona do dia. O motorista era o marido da dona da pousada onde dormimos a vespera. Já estavamos antenados. Deixamos ele 3 kms pela frente, pronto a salvar a galera que estava esperando por esse ônibus na beira da estrada. Um kilometro e algumas toneladas de lama depois, encontramos um carro com pneu furado. Ajudamos o casal e oferecemos carona, mas rápidamente consertaram e ficaram prontos a continuar. Mas esses alguns minutos foram suficiente para fazer desse casal nossos melhores amigos durante os próximos kilometros. (Faço questao anotar aqui, que na pergunta "Vcs sao da onde?" ainda ninguem se questionou de nada me ouvindo responder com meu lindo sotaque francês, "Somos do Rio"... Eu ou Chico falando, nem faz diferença, precisei vir até aqui para ser carioca!). Puxamos um outro carro fora de um poço de barra, o Chico bravamente cruzou píscina de lama ao volante do monstro valente que é nosso carro (perdao, o carro do Dedeco. Obrigada sograo!)! Tinha chuvido muito os últimos tempos, e o Inferno era para valer.
Continuamos nossa caridade e oferecemos carona a um último casal, uma senhora e um senhor bem velinhos, que se espremeram atrás entre a mochila e a barraca de camping. Compartilhamos com eles os 40 últimos kilometros que sobravam até Sao José do Norte. Uma convivencia rica em troca de olhares e tentativa de conversa da nossa parte. Em troca das nossas perguntas ganhamos curiosas mas simpaticas olhadas deles. O Chico perguntava, eu respondia e eles observavam a troca, com um certo ar de preocupaçao. No final, acho que eramos muito estranhos para eles.
Essa tripulaçao toda chegou até o embarque da balsa para Rio Grande. Cruzamos o Lago dos Patos e deixamos para traz a Estrada do Inferno com a promesa do que o carro ganhará banho e revisao em Buenos Aires!
*nossos contatos com a sociedade se resumem aos funcionários de posto de gasolina e recepcionaista de hotel desde domingo. Mas a convivencia tà sendo muito boa.
Músicas: Kassin +2, 4 Grandes do Samba
Essa tripulaçao toda chegou até o embarque da balsa para Rio Grande. Cruzamos o Lago dos Patos e deixamos para traz a Estrada do Inferno com a promesa do que o carro ganhará banho e revisao em Buenos Aires!
*nossos contatos com a sociedade se resumem aos funcionários de posto de gasolina e recepcionaista de hotel desde domingo. Mas a convivencia tà sendo muito boa.
Músicas: Kassin +2, 4 Grandes do Samba
Um comentário:
Chico, chico! Tô aqui lendo o Blog e começou a tocar girl put your record on no rádio!!
juju! parabens pelo blog, está sensacional!!!
saudades, queridos!!
Postar um comentário